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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)
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sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Receita

Cada conversa
versa
sobre seu lado
Tem demonstrado
o intento
O talento que tem
em si
Violento trajeto
que ostenta
Seu comportamento
Pimenta
Um invento e tanto
Um passo além
Põe tamanco
um metro e noventa
e levanta
fica atento
Qualquer movimento
o encanta
Acende o acento
imanta
Atormenta seu santo
devaneia num canto
inventa
Você tem em seu pranto
o tempo
Seu sustento
o extrato
do seu argumento
A Receita

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Espia


Não há rosas sem espinhos
não há vento que navegue
sem medi-lo
Não há cheiros que se entreguem
gustativos
Sem gritar.

Não há cores nas paredes
sem deslumbre
Não há luz que não se veja
em azedume
Não há alegria desprovida de cansaço
tristeza, sem percalço.

Não há rua sem calçada
não há pele nua
sem se ter tapada
não há nova ideia
ainda inventada

Não há palavra sem espaço
não há ponto sem traço
não há gente sem a gente
não há mais quem aguente.
não há sal adocicado.

domingo, 15 de março de 2015

aPátrida

UM PÁRIA
PERECE

SE PERTENCE


A     SI           SÓ



SEM           SUA




P  Á  T  R  I  A
           PERENE

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

(b)Isca

De uma rocha magmática,
foram talhadas suas curvas,
arredondadas suas formas,
em exagerado preciosismo.

O vento aparou seus seios,
o rio formou seu lombo.
Há pólem em seus cílios,
raízes em seu cabelo.

Quando solta-se, alheia,
surge, de imediato, o veio
do metal mais nobre encontrado.

Canta como a sereia,
não mostra a que veio
e afoga o seu convidado.

sábado, 7 de junho de 2014

frente ao fim



foi posto em cimento,
no cal do lamento.
e, assim, nesse posto,
tem-se por suposto.

mas move-se e movimenta
por seu planeta-placenta.
desponta em seu brilho,
provoca temor e arrepio.

pensa se pode ser livre
da condição em que vive,
em um novo ambiente.

só que prende-se ao chão,
pois, os pés o trapacearão
e tudo tornará repente.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

És Tudo


Tem mais cuidado consigo
por apostar no destino,
pois sobrevive ao perigo
tão grande, por ser pequenino.

Controla o passo e o caminho, 
contorna o andor e, cedinho,
levanta o ânimo e seu tino
alarga o que, ainda, for fino.

Não rói mais sua unha,
convence a pedra a virar pluma.
Denomina o seu dono!

Corre por seu propósito
e por estar tão disposto
faz na vida o que faz no sono.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fremem

A palavra surge
sem causar espanto,
mas a frase inteira
traz estranhamento.

Outro trecho dito
traz um disparate
e os ouvidos mudos
calam-te.

O discurso segue
e os olhares tortos
tornam rubra a face.

Pelo fim dos versos,
num só solilóquio,
violentam-se.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

passarinho

"Sem saber,
ao não querer
me ver,
você
me fez
CHORAR

ainda guardava
AMOR
pelo amigo
em DOR
que eu fiz
PASSAR"

Leseira sua
não é.
minha atitude
é ralé,
um tanto rude
e chulé.

mudo
ao seu suporte,
pront'a um
convescote,
nem me
prontifiquei.

sinto tardia
carga
d'uma vida
passada
a me por
após.

peço a você
(caso possa
agora,
meio à mora,
cortar
caminho...)

se posso ser
sozinho,
sem seu
solzinho,
por eu ser
PASSARINHO.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

direitinho


Por viver'em Singular Sociedade,
os homem'se debat'em vaidade
para saciarem seus sentidos,
darem azo aos anseios suprimidos.

Contudo, TUDO é D.A.Do. à finitude
mesmo os seres cheios de saúde.
Ao notarem, em atraso, que tolhidos,
travam guerra e todos são vencidos.

Percebendo os mesmos erros amiúde,
põ'em paz sua profana latitude
e enlatam regr'aos outros, oprimidos:

"Se cumprires direitinho, não sendo rude,
será concedida, a ti, a (vã) virtude
de esvaeceres, tu, os teus sentidos."

sábado, 4 de agosto de 2012

rebelde nATO


Minha rebeldia incorrigível
não se põe à mesa, por breaco.
Me faz enlutado como um vil
alarmista, por saber meu fraco.

O argumento de que a vida 
vale a pena só pela corrida, 
nada plena, tece enrascadas
nos buracos. Adotadas as toadas,

 sua lida, derivada de invento,
torna as circunstâncias em tormento
e lhe amarga nas lamúrias do fracasso.

Por operetas pátrias em que me susTento,
nas sílabas que sibilo, o meu intento 
é ATEAR as minhas chamas no Espaço.

*foto de Beto Strumpf

terça-feira, 17 de julho de 2012

ALeTERa

a lETra ALTERa
a TERra
que se tem
na RÉta

o tERMO
enTuMece o
ATORmento

tORNAM
o tATO um
tanto tORTO

com SENtidos
tolOS nOS
tEUS
PENSAmentos

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

enViVecer


Desiludido por satisfeito
penso não ser sujeito
ao trânsito trivial da vida,
a esperar os passos pra saída.

O tempo espera-nos no leito
para tomarmos proveito
e libertar-nos da enraivecida
ocasião a borrifar-nos pesticida.

EntreLaçamo-nos à comprometida
privacidade, já persuadida
por sermos sós, em conjunto.

Mas se provarmos alternativa
nossa carcaça, por estar viva,
fará, do tempo, o defunto.

terça-feira, 13 de julho de 2010

ÍNDIOssynkrasía

O cérebro me escapa ao crânio
num ímpeto extracutâneo,
que a tripa toda extravasa.
Perdem-se todos os totens da casa.

Temido tiro em titânio
trespassa o espaço espontâneo.
Impetra-se o pombo sem asa
em órbita de nave da Nasa.

De súbito, um subterrâneo
intenta trajar-se de urânio
e troça do que lhe atrasa.

Num giro, verte-se vulcâneo
em retrocesso extemporâneo
e irrompe-se da aeropausa.

domingo, 11 de novembro de 2007

Transtorno da Bagunça Particular

Primeiro Lugar/ Categoria 19-55 anos
VI Concurso Municipal de Poesias Tereza Mª V. C. de Faria
Interpretada por Selma Mixttura
Poços de Caldas - Minas Gerais - 11 de nov de 2008
........

Saiba: as confusões que fiz
foram profundas do tronco à raiz.
Se duvida do que diz minha boca,
saiba que é doida, insana e louca!

E da loucura entendo bem,
entre doidos sei quem é quem.
Já você traz a sanidade pura,
a mais forte forma de loucura.

Toda essa confusão
não chega à explicação.
Pois entender é deixar morrer
o estimulante que nos faz Ser.

Eu sou confuso dentro do normal,
eu sou normal nessa confusão.
Sou o feliz mais triste na lida,
eu sou o triste mais feliz da vida.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Amor selvagem

Nossa festa rompeu a noite.
Querer seu findar era açoite
ao extremo prazer descabido
que fez, das águas do rio, libido.

Não temos mais de contar os dias.
Não teve tempo em que não ardias
em meu corpo, por todas as partes,
o teu corpo prestes a um enfarte.

Na selva, não houve acasalamento,
nenhum, que explodisse em rebento
tal como o nosso fulgor o fez.

Amamos! À queda da cachoeira!
Às águas fluidas, à corredeira,
fluíram os pudores da tez.