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"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Casa de Apostas


Nesta reta final,
as equipas estão muito inconstantes,
os jogadores estão muito inconstantes
e os resultados são imprevisíveis.
Um gajo há de ganhar
qualquer coisa
pra saber o que fazes
Como ganhei de presente
a nuvem que me fez sentar
no banco de azulejos azuis e brancos
do outro lado da calçada,
na frente do coreto,
às margens do rio,
que assistiu passivamente
o escaldar dos nossos
últimos dois anos
As pombas
já quase bicam meus pés
por me pensarem morto,
um alimento inglório,
envenenado
de rancor e suor
E ainda penso nas sardas do seu rosto
que ainda me parecem constelações
de astros que fuzilam
o sentido do meu universo
E acima do Paralelo 38
tudo é receio
Já de volta à sacada
onde passo a maioria dos meus dias
De onde já não vislumbro
o semblante do mosteiro,
fábrica de frígidas,
tomo um cigarro
e o café
Já é outro dia,
já são outros tempos
O tempo tem outro clima
e outro, o mundo que vejo
Sentado
no alto da Rua da Alegria
na esquina da Couraça da Estrela
o frio caminha comigo
faz tremer as frias pernas
da estudante que passa
em seu traje negro
Já é outro sítio
Já é outro tempo

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ReCorte

Trafega em seu
bom passo e porte
Seu terno novo
apara o corte
Disse o que houve
sem dar suporte
Ninguém lhe ouve
e o mira forte
Atravessa ao norte
Tem seu porquê
jogar com a sorte
Seu solo tido
estraga o trote
em que antevê
e o acode
Vai em pinote
buscar seu ser
Sacode o ar
em seu transporte
Pensa em saltar?
comporte-se!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

iaí

que tal
teu tempo
que tanto
tento
atravessar?
um tormento,
um tonto
intento
em te
trancar.

teus traços
traçam
instintos
e tragam
o éter
dos trópicos
em que teu
destino
entontecido
tenta me
atar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

desCabido

Meu vinho sem cor
meu Licor
minha água insalubre.

Não rubro,
não subo mais os buracos,
não me atraco às cortinas.

Me tornei um Doutor.
Um eTerno amor
de viúvas vazias.

Só encontro calor
nas paredes pintadas
de angústia.

Sinto um nobre estupor
de me por
uma algema nas asas.

Gasolina na mente
e premente
uma nova saída.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Casmurro

Quero notícias de você
pra me fazer dormir
quero uma nota sua
se eu existir.

Quero Corresponder ao seu desejo
de me esquecer,
mas preciso me informar
cadê você?

Quero saber onde está
aquele seu afago
e não perder aí
seu doce amargo.

Quero me perder assim
para lhe encontrar
fora das vontades
de lhe impedir.

Quero notícias de você
para poder sonhar
um som que seja
pra sentir.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Patricinha Paraguaia (ou Hippie do AlphaVille)


Eu sofro calado,
afogado, enganado
em lamúrias de amor

de estar condenado
apenado
pela culpa que for.

Só que está ao seu lado
o culpado, atrasado,
dos soluços de amor.

Cê não sabe a responsa
a faz sonsa
não assume seus erros.

Compra a sua inocência.
Em clemência, a demência
guia o sonho ao aterro.

Troca louca as vontades
se evade
como troca os vestidos.

Se te compram verdades,
eu tenho a Humildade
em sofrer meus sentidos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Acabamento

Vai acabar. Tudo um dia vai acabar.
Vão dissecar meu corpo sem propósito,
vão confiscar todo e cada depósito
depois que tudo entre nós se acabar.

A solução arrumada é o problema:
se distanciar em hora oportuna
vai depreciar nota a nota a fortuna
guardada em moeda pequena.

Cada esforço ruma à eternidade
vai deslanchar em verdade
que não se pode mais negar

Os sinais de um fim à metade
e este sentimento amargo que invade
nos lembra que tudo vai, um dia, acabar.

sábado, 20 de novembro de 2010

UnA diversidad

das inVasões BÁRBAras que SOfremos
das humilhAÇÕES e a inSTRUMEntalização
LIQUIDIficaram a dignidade dos fraTERNOS
impleMENTARAM a selvaGERIZAção

CIVILizações fotemente insTiTuídas
foram cruciFICADAS a morrer.
Na ignorânCIA de SERem: "as esCOLHIDAS"
JUSTificaram o DIreito de os sorVer.

Mas os reTALHOS sEM Costura
deixados por eLes atrÁS da fortUNA
são feitos de Homens, são VoCê!

Nas muDANÇAS à éPOCA futura,
nas AÇÕES REALizadas por USUra
fazem o nosSO MUNDO aCONTEcer.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vasos Vazios


Se as flores da VIDA puderem indicar
como cura a FERIDA de uma mulher,
vão parar a descida do SANGUE que escorre
e sugar as ARGURAS largadas no AR.

As PAREDES controlam o espaço.
Seu LUGAR já não tem mais percalços
para se confortar.
Suas MEIAS deixaram seus PÉS.
Suas LUVAS lavaram ao invés de sujar.
Não há mais MOTIVO com que preocupar.

Um VASO VAZIO se enche de AR.
De AR frio se faz esse VASO.
Não há PASSOS partidos a dar

E se não conseguir encontrar,
vai seguir sem ter LAR
sem ser VASO
o VAZIO
[..........]