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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tu és doido

Tá tudo tiranizado na tribo
Traquejam nas entranhas o estribo
Se toquem que os toques da tourada
dão cornos esticados à manada

Atracam nossa vida em um tronco
e crêem sermos todos como um bronco
a triturarem tolices de suas tramas
e trcocarmos trotes pelas camas

Nossa trilha é dado incerto
das maravilhas desse reto
das Damas que fazem "muié"

Retires da terra tua estaca
ou tens tu a telha fraca?
Tu és doido, é?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Para me enterrar

Onde eu vou plantar banana?
A terra é curta e o solo engana
Dá pra aprovar o meu projeto?
Negam antes de algo concreto

Tentei entender sua burocracia
pra resolver ao que à fome sacia.
Mas é um emaranhado descabido
que corta no talo o meu pedido

Alguém me salva nesse lote!
Já penso em comprar um bote
Para poder, daqui, escapar.

Essa terra que me deram é boa,
só que que fica todo tempo a toa
a espera de alguém para me enterrar.


sexta-feira, 25 de maio de 2007

As meias sujas sobre Saramago

Saiam sujeiras do santuário
São lixo sobre luxo literário
Não são bons modos, essas meias
Ocuparem o lugar das veias

Se soubesse Saramago
Desse fétido fator
Acharia um tanto vago
A omissão de um impostor

São cegos e melhor se enxergam
Mas não estrague o olfato
Ou os aromas o apagam

Melhore o seu mau-trato
Pois convidados que chegam
Vão preocupar-se com o fato

terça-feira, 15 de maio de 2007

A vida comê-la é...

A crítica é a tática dos céticos,
esses médicos da realidade imunda.
É grude dos enfermos frenéticos
e é muda quando a merda muda

São preenchedores de espaços vagos
e animam todo o animalismo
para costurarem os rasgos
do abismo em que meteram o jornalismo.

De todos os nossos sentimentos,
em quatro anos de tratamento,
os que mais valem pra vocação
é o Amor, o Ódio e a Paixão!

São três razões pra se indignar,
seja o que for que a gente fizer.
Juntando tudo, o que é que dá?
A vida comê-la é...

sábado, 5 de maio de 2007

Contrato Universal

Você firmou Contrato Universal
com atratividades de um recital.
Isso lhe traz a segurança branda
e tira as pedras do caminho por que anda.

Embora eu não saiba lhe dizer
se creio na verdade do seu ser,
só consigo lhe espiar com dor
por não ter seu tratamento de doutor.

Espero, em longos anos, apreender
sua receita que me faça encher
desse seu ar repleto de esperança.

Aceito, com ternura, os seus condimentos
que temperam, em terapia, os momentos
para ter o seu fôlego e pujança

Camaleão

A estrutura sustentadora ruiu
e um barro movediço surgiu
para me engolir na vertigem
de amarguras que me afligem

Agora, só me resta a incerteza
da existência de uma firmeza
nos pensares que tecem as teias
das ilusões mensageiras das peias

Apanho da queda a cada segundo
sou personagem de conto rotundo.
e essa angustia só me deixa puto!

Ela acaba com minhas vontades
e me aprisiona nas grades
que me deixam menos arguto

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O teu som todas as manhãs

Quero ouvir tua voz todas as manhãs
e vais ser meu café depois das maçãs
vou gravar esse indelével som
e tatuar teu timbre no meu tom

O teu canto de pássaro me faz voar
ele perpassa em mim, em todo lugar
Um telefonema teu pode resolver
os barulhos brutos de me embrutecer

Eu bato as asas só já faz um tempo
e tento planar num sopro de vento
que me lava a fronte numa só rajada

A tua ausência só me atormenta
e a minha perna caminha lenta
se não ouço o teu canto de fada

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Amor selvagem

Nossa festa rompeu a noite.
Querer seu findar era açoite
ao extremo prazer descabido
que fez, das águas do rio, libido.

Não temos mais de contar os dias.
Não teve tempo em que não ardias
em meu corpo, por todas as partes,
o teu corpo prestes a um enfarte.

Na selva, não houve acasalamento,
nenhum, que explodisse em rebento
tal como o nosso fulgor o fez.

Amamos! À queda da cachoeira!
Às águas fluidas, à corredeira,
fluíram os pudores da tez.


Irregular

Que belezinha a boa vontade
de quem arde sem saber metade
do que deveria pra regularizar
as famílias vivas de plantar

Eles não sabem qual é o alarde
feito pelos culhões de verdade
que têm suas razões pra lutar,
mesmo sem a sensação de lar

Suas reuniões são falhas menções
de inusitadas que são intenções
para poder de vez se encalhar

Em suas vagas fixas eternas
só trazem o alento das terras
que aos clientes pode interessar

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Corrupção Provisória

Inventaram um imposto escandaloso
com um nome feio de lustroso
que tem a eternidade provisória
e cobra do povão a sua escória

Nos seus atributos de bondoso
o líder dos tributos é charmoso
pois, consegue todo dia a vitória
de apagar as lembranças da memória

As siglas ditas em tom pomposo
até parecem lhes trazer a glória
aos fiéis pagadores do povo

Não têm na sua mesa nem chicória
Mas, com qualquer tratamento amoroso
Esquecem os espólios da história

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Senhor rudimentar

Incrédulo Senhor Rudimentar aprenda
a usar as ferramentas de trabalho
do jeito que está você remenda
os trapos jornalísticos em escangalho

A tecnologia será sua nova prenda
para se livrar de ser um espantalho
Asno, você erra, mas se arrependa
de seu infindável enrolar falho

Isso não é uma confecção de renda
e não me peça respeito, caralho!
se nos olhos só tem uma venda

Você não passa de um velho paspalho
àquilo que lhe garante a merenda
e que chama toscamente trabalho

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Desacordo

O que quer da vida rapaz?
o que faz que o satisfaz?
Vê se toma jeito logo
e abaixa a chama desse fogo

Não me deixe em paz
que isso não se faz
acabe a saudade ou me afogo
é isso o que lhe rogo

O ranço diário é o seu capataz
e nisso, contigo, concordo
o que foi nunca será mais

Não haja mais desse modo
nesse enrosco que o leva pra trás
se não, desse sonho, eu acordo