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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

domingo, 18 de junho de 2017

Arengueiro

Olha
Olha pra lá
Olha além daqui
Olha o que não se vê
e vais entender por quê
sou assim
um estrupício
um pedaço sem fim
um começo do que não tem
fim
um desejo de ti
Venha pra cá
Venha me fazer feliz
deixa te fazer feliz
Eu vou brigar contigo,
mas cada briga
será
pra que tu
sejas
meu melhor abrigo
Minha casa
Minha prisão
e alforria

sábado, 17 de junho de 2017

Condenados à Fiambreira

A vida vai ceifar a sua vida
lamina por lamina...
O tempo vai cortar teu corpo
te desfazer todo
A alegria é uma faca fina
te constitui
e te dilacera
Mas não se poupe
tenho, aqui, no pensamento
que o que pode ser morte
pode ser refinamento


*argumento de Luís Lima

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ahn Hã

Meu doce,
prove meu segredo
o que há de sagrado
em meu medo.
Ponha sutileza em meu jeito
e me tranquilize.
Paralise
tudo o que não for seu cheiro.
Meu doce,
me dê sua palavra,
tão calma,
me dê seu silêncio,
sua alma.
Trace, comigo, um caminho
uma tática de paz
um plano para que o passado
nunca seja empecilho
para nada nesse mundo.
Meu doce,
vamos mergulhar fundo
que a vida é curta
e não há mais sentido
nisso tudo
que o seu
e o meu
absurdo.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

(sem título)


Cloridrato de Diamantina

O dia mantinha
seu rumo
quando, de tardezinha
olhei
dentre os teus olhos
fundo
Depositei esperança
Uma aposta
decisiva
em teus lampejos
e cada um de Teus trejeitos
Treme tudo o que vejo
No tempo que tenho
Para estar contíguo
Te enxergo
Cego
Em meu peito

Tenho uma Casa

Do tanto que já andei por aí
Do tanto que vou andar
posso dizer, sem problemas
eu tenho um lar

Por mais que não tenha destino
Por mais que não tenha fim
posso dizer de estopim
tenho onde ficar

Mesmo que não saiba onde
Mesmo que não saiba quando
tenho que dizer agora
eu tenho uma casa

Tão Tanto com Tudo


Onda de Fundo


Anos Luz


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Pérfuro Cortante

De uma lapada
uma secada em teu corpo
uma palavra

Em um instante só
num estalo
te separei

Numa carona dada
uma conversa curta
muito sentido

A tua resposta
machuca e corta
o meu destino

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Casa de Apostas


Nesta reta final,
as equipas estão muito inconstantes,
os jogadores estão muito inconstantes
e os resultados são imprevisíveis.
Um gajo há de ganhar
qualquer coisa
pra saber o que fazes
Como ganhei de presente
a nuvem que me fez sentar
no banco de azulejos azuis e brancos
do outro lado da calçada,
na frente do coreto,
às margens do rio,
que assistiu passivamente
o escaldar dos nossos
últimos dois anos
As pombas
já quase bicam meus pés
por me pensarem morto,
um alimento inglório,
envenenado
de rancor e suor
E ainda penso nas sardas do seu rosto
que ainda me parecem constelações
de astros que fuzilam
o sentido do meu universo
E acima do Paralelo 38
tudo é receio
Já de volta à sacada
onde passo a maioria dos meus dias
De onde já não vislumbro
o semblante do mosteiro,
fábrica de frígidas,
tomo um cigarro
e o café
Já é outro dia,
já são outros tempos
O tempo tem outro clima
e outro, o mundo que vejo
Sentado
no alto da Rua da Alegria
na esquina da Couraça da Estrela
o frio caminha comigo
faz tremer as frias pernas
da estudante que passa
em seu traje negro
Já é outro sítio
Já é outro tempo