me faz querer
marejar
mover e mexer
mergulhar
imenso
em
imerso
firmamento
que
disfarça os pensamentos
para me ater
me atar
a ser quem sou
inverso
e avesso à dor
Sei bem que as amizades se dissolvem, na mesma intensidade em que se firmam. Somos sujeitos distintos, porquanto o tempo nos defina.
Nosso caminho tem atoleiros, como tem mata-burros, estende tapete e cria absurdos. Estes degraus estabelecem o impulso ao nosso interesse.
Sinto ter pisado em falso muitas vezes. Foi a gana de escalar que me fez cair. Querendo mostrar o que não possuía, te fiz rir, de mim.
Em tempo, ao me pensar além da razão, dei vazão ao que não se quer impedir. O que lhe pedi, faria por ti e, por mim, gostaria de ouvir.
Sei que traço caminhos cruzados, sem sentido ou enviesados. No fim, de tudo o que aprendi contigo, restam abraços de um caldo divertido.
Posso dar muito mais ao mundo do que me considero, inadvertidamente, capaz. A idade, a mudança, a alteridade, Aleluia! Sobrepassam o senso irrazoado que nos domina tempo e hora.
Rogo que perdoe meus arroubos, deixe de lado meus instintos. De todo modo, a cada cálculo que fizer, estará somado o balanço do barco ao chocalho da rede.
Em cada atitude esperada, posso deixar um desejo, dar passo errado e me desculpar.
Pouco sei do caminho traçado, mas fazemos curvas, olhamos pros lados, desenhamos o mundo. Estamos (f)errados!
Nosso desenho é rabisco, mas o esboço traz previsão. Guardo sempre ao lado, o balanço, o aprendizado, pra ser menos criança e ter no calço, a sua razão.
Mar, sol, calma e emoção!
Ideologia,
eu quero uma pra você,
eu quero uma pra você abandonar
Pois, quando não há razão,
há silêncio
ou gritaria desvairada
A sua propensão à censura
A sua inclinação ao desprezo
Sua sabedoria
vai despencar
do alto do último andar
Seu conhecimento
Seus livros lidos,
eu vou queimar
Vou botar fogo nas suas ideias
Voou achincalhar seus pensamentos
Vou falar
Vou falar
Vou falar muito
Até as suas entranhas me expulsarem
da sua intolerância
do seu desrespeito
E longe de si
ou dentro de si,
por ter sido devorado,
posso ter garantido
meu direito à alegria
Porque, afinal,
a felicidade é uma obrigação legal
Não quero um sistema
que me liberte
Mas um mecanismo
que me permita
Não quero um desejo
que me devore
Mas um sonho
que se realize
Não quero um sol
que se ponha
Mas uma lua
que não adormeça
Não quero voar
sem asas
Mas pisar forte
com pés descalços
Eu quero poder pensar
e dizer
o que me contradiz,
em bom som,
com boa dicção:
- Você é quem me faz feliz!
Esse é meu refrão
sem tom,
sem harmonia,
Que diante à sua presença
não tenho limites,
não se devora,
e não se põe
o alvorecer da aurora
Quebrei muitas coisas
outras tantas, as consertei
Por ser homem de palavras
abri e fechei as travas
corrompi a lei
Deixei pessoas aos prantos
outras tantas, as que amei
Por ter o fulgor, faltava
e quase me arrebentava
nas entranhas, o meu rei
Tenho, em mim, todas as chagas
as que existem e as que inventei
Por mais que buscasse
não me curava
de todos males, os acessei
Voltam a sangrar, as feridas
após anos de escondidas
destrançam-se, as cicatrizes
ampliam a imensidão do tempo
e deixam, em carne viva, o corpo