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INQUIETO
"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
terça-feira, 10 de setembro de 2024
Eco
na perfeição
destacam-se
os defeitos
de ternos
e alinhados
nos afetos
um traço
na areia
grita o eco
e o que era
ar
é veia
da ave
sua pluma
ao vento
as flores
perdem suas pétalas
até as flores
Alto do céu
Vou infernizar com felicidade,
e se puder, alguém me trague
novos termos e frases,
que costuro em versos e fatias,
sem vírgulas, sem regalias.
Quem não amanhece na praia
não viveu a noite,
não sentiu a brisa varrendo o cansaço,
nem ouviu as ondas apagando pegadas.
Não corro, que estou aperreado,
mas quem busca a pressa
só encontra o desejo.
Mais vale a morte quando se quer vida
que a vida quando lhe quer morto.
Quem não tem pancinha
vive em tempos obscuros,
onde a fome se disfarça em moda
e o espelho engana os olhos.
Meu relógio é uma prisão,
um ano de vida por notificação.
O tempo não mede passos,
não cobra abraços,
não pergunta dos beijos
que ficaram no meio do caminho.
Faço uma plástica nas digitais
pra que o mundo me esqueça,
ou talvez me aceite.
Passe, temos todo o tempo,
mas o tempo, este,
não se deixa.
Esse caranguejo é maroto,
não privatiza o pirão,
mexe o caldo e camarão,
e na maré faz sua terra.
Vem me embriagar,
dar saravá em formiga,
cantar desafinado
e rir até ser um zumbi
de zóio trocado.
Dias comuns são extraordinários,
brilham numa pulseirinha de neon,
amarram memórias nos pulsos,
e, no escuro,
iluminam a alegria.
Umas partes de mim vão, outras ficam.
Em Pipa deixei o encanto,
em Jampa parti sem descanso,
e voltei pra Recife,
"foi a saudade que me trouxe pelo braço".
Agora vou ali na curva encontrar o vento.
Fui pra ficar uma tarde,
não saio dali já faz anos.
Nas asas de um carcará,
viro areia,
faço dunas,
me refaço em ondas,
e a cada dia sou um novo monte,
um novo mote,
um outro horizonte.
Peço com olhos de sede
pelas delícias de uma batatinha
que afoga a fome, os desejos,
e enche de graça as mãos vazias.
E na volta,
tem um coquinho geladinho
pr’aumentar a pancinha
e dar linha ao caminho.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2023
Laço sobre laço
Quando você precisou
Estava sob seus pés
Fui seu caminho e calcei
dos dedos até os anéis
Estava sob seus pés
Fui seu caminho e calcei
dos dedos até os anéis
Lhe vi durante seu show
Você quase nem percebeu
Mas quando mais precisou
Fui eu quem lhe deu fé
Ajustei seu xote
Para garantir que me bote
No passos da sua paixão
Vai, canta alto!
com força no coração
Seu grito me abraça
E força os nós da canção
E força os nós da canção
Em cada um dos seus tons
Eu beijo a sua mão
Laço sobre laço
Lhe passo força
E faço firme os seus sons
Vou apertar mais essa fita
Que lhe desejo infinita
Dou nó dos seus traços
Enrolo os cadarços
Eu me amarro em você
Laço sobre laço
Na chuva e no abraço
Eu me envolvo em você
Vou apertar mais essa fita
Que lhe desejo infinita
Laço sobre laço
Lhe passo força
E faço firme os seus sons
Lhe passo força
E faço firme os seus sons
Dou nó dos seus traços
Enrolo os cadarços
Eu me amarro em você
Enrolo os cadarços
Eu me amarro em você
Vai, canta alto!
com força no coração
com força no coração
Seu grito me abraça
E força os nós da canção
E força os nós da canção
Vou apertar mais essa fita
Que lhe desejo infinita
Que lhe desejo infinita
terça-feira, 19 de dezembro de 2023
As vinte e duas
Foi nessa festa à noite
Falando com toda gente
Onde conheci aquele anjo
Onírica seda em pessoa
Falando com toda gente
Onde conheci aquele anjo
Onírica seda em pessoa
E dela trouxera a mim
Outras vinte e uma anjas
Que baixaram de Icaraí
Para voar em Pipa
Levaram-me por aí
Irromperam-se em cantoria
Na calçada frente aonde
Haviam dançado forró
Em frente aos personagens de metal
Alegria a mil e as vozes em sincronia
Gritavam a alegria de estarem reunidas
Em bela passeada
em terno mar
Navegamos nossos risos
E viajamos nossos sonhos
Amparados pelo samba que fizemos
E este mesmo samba
nos guiava os passos
Nos trançava as pernas
Nos punha embriagados
Com toda a sobriedade
Eu estou com vocês
Quero vestir 23
segunda-feira, 18 de dezembro de 2023
Todo dia faz amanhã
Comprei um sol pra te iluminar,
quando fui pagar,
não tinha crédito.
quando fui pagar,
não tinha crédito.
Peço e me espera,
só doze horas
O dia já tenho
E quero passar com você
E quero passar com você
Hoje é um passo pro espaço
Desfazer-se e me enlace
Temos tempo e paixão
A Jaciele perdeu o irmão num acidente
É falar nele e se põe
Mas tem dois filhos
Jaci, me dê um abraço apertado
Demorado
O que sente é presente
por tempo e cuidado
Vem ser feliz
Que o dia faz amanhã
Se houver utilidade pro coco tomado
O nordeste vai tomá-la da mão
Nada melhor que o mar
pra dar onda às ideias
Ir a todas as praias
Norte e sul daqui
Para amanhecer na areia
E cavar túneis nos ares
Temos as estrelas
Nossas testemunhas
Todo riso que damos
E o choro que engolimos
Estão registrados
Na luz do tempo
Na brisa e no vento
Chove todo medicamento
Que alivie o nosso peso
Poucos pingos de chuva
E vai-se todo meu medo
Viver é emagrecimento
Tomar banho no abismo
Para nos dar pés
Pisar em solo macio
Sem atolar
Molhar-se no destino
E mergulhar no caminho
A mãe canta um reggae ao seu filho
Ele reage em cochilo
Balança seu berço
Que um anjo caído
Lhe trouxe pra cá
Sempre há motivos pra sorrir
Todo dia faz amanhã
Todo riso faz elixir
terça-feira, 31 de outubro de 2023
por ti, pra mim
a noite toda
quero m'encostar em ti
a noite toda
quero te abraçar e rir
sem ter motivo
te espremer e m'exprimir
a noite toda
quero ter você aqui
quero ser alguém pra ti
e me acode
se já for hora de acordar
que o tempo todo
vou querer saber só de dormir
se aos teus cuidados
estiver a me esculpir
só assim eu sei ser sim
num só sono
sem sede para acordar
sem noite para amanhecer
sem medo no meu paladar
a noite toda
eu quero me enrolar em ti
a noite toda
eu sonho contigo aqui
a noite toda
eu tenho mais motivo pra dormir
eu respiro teu ar
eu venero teu ser
eu destilo tua ira
a noite toda
eu fabrico ilusões
dos teus trejeitos
que são trens, caminhões
carregam cheios
de motivos e emoções
minhas ruínas,
os meus temores
e os une
ás tuas vãs intenções
num fechamento
pra ver cerrar os portões
manhã, cedinho
não há qualquer vibração
não movo um dedo
vou só saber do teus sons
dos teus pêlos
um vulto na tua visão
o cheiro doce
que o teu amor
provocou
gratidão!
a noite toda
sonho que a manhã
vire noite
para que a noite toda
possa m'encostar em ti
pra rir sem motivo
pra ter teus cuidados
te espremer e m'exprimir
*in memoriam da Havana
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
aBrigo
Se o amor fosse propriedade
Ao menos, formaria condomínios
Quem mora contigo
E o teu vizinho
Temos todos, com teu gramado,
Carinho e cuidado
Tanto faz onde seja o churrasco
Nosso quintal assa brasa
O quanto for necessário
Pros teus anseios
E a fome do convidado
No amor, todos somos visita
E findamos num colchonete
Fino e sem torcida
Aos pés das camas
Para amanhecer
Como café
As mesas postas
Os olhos dados
E um compromisso interminável
De nos sentirmos
Nos deliciarmos
Sem garfo ou faca
Dividimos, ao fim
Em uma colherada
O doce em nossa sobremesa
Neste cenário
Ainda que belo e desejável
O afeto impõe seus caminhos
Derruba muros
E queima a segurança
Pois, se indiviso,
O amor
Finca-se em montanhas
Afeta suas luas
Ao dar luz
Ao que abriga
E protege
Ao menos, formaria condomínios
Quem mora contigo
E o teu vizinho
Temos todos, com teu gramado,
Carinho e cuidado
Tanto faz onde seja o churrasco
Nosso quintal assa brasa
O quanto for necessário
Pros teus anseios
E a fome do convidado
No amor, todos somos visita
E findamos num colchonete
Fino e sem torcida
Aos pés das camas
Para amanhecer
Como café
As mesas postas
Os olhos dados
E um compromisso interminável
De nos sentirmos
Nos deliciarmos
Sem garfo ou faca
Dividimos, ao fim
Em uma colherada
O doce em nossa sobremesa
Neste cenário
Ainda que belo e desejável
O afeto impõe seus caminhos
Derruba muros
E queima a segurança
Pois, se indiviso,
O amor
Finca-se em montanhas
Afeta suas luas
Ao dar luz
Ao que abriga
E protege
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
derreter
Espero passar a vida
Como o tempo
Marcar minutos
Sem cronômetro
Fazer do meu jeito
O ponto
Desejo passar o tempo
Ser aventura
E contentamento
Uma pluma no ar
Saber que vida
É passagem
Pretendo caminhar
Lento
Ter firmeza nos passos
Caber no espaço
Derreter a vela
Sem apagar
Num vento
Mas iluminar
O quanto
Pudermos enxergar
Dos sentimentos
Como o tempo
Marcar minutos
Sem cronômetro
Fazer do meu jeito
O ponto
Desejo passar o tempo
Ser aventura
E contentamento
Uma pluma no ar
Saber que vida
É passagem
Pretendo caminhar
Lento
Ter firmeza nos passos
Caber no espaço
Derreter a vela
Sem apagar
Num vento
Mas iluminar
O quanto
Pudermos enxergar
Dos sentimentos
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
Lampejo
Por descer as escadas
Encontro o caminho
Eu puxo a cadeira
Sento-me frente a ti
És o meu espelho
Onde vejo medos
E penteio o cabelo
Sem apelo
Lhe peço
Que quebres o vidro
Que nos corta ao meio
Vejo te fazendo
Os mesmos movimentos
Que eu faço
E vendo
Troco teus talentos
Por tempo e desejo
Repito
em lampejo
Reparto
Sem causar tormento
Sou traço
Em tua história
Encontro o caminho
Eu puxo a cadeira
Sento-me frente a ti
És o meu espelho
Onde vejo medos
E penteio o cabelo
Sem apelo
Lhe peço
Que quebres o vidro
Que nos corta ao meio
Vejo te fazendo
Os mesmos movimentos
Que eu faço
E vendo
Troco teus talentos
Por tempo e desejo
Repito
em lampejo
Reparto
Sem causar tormento
Sou traço
Em tua história
segunda-feira, 17 de julho de 2023
Swampa
Corre
Fecha a bolsa
Tira o dedo da mão
A janela tem que estar fechada
Pois quebra vidro
Bota medo
E tensão
Se tem comércio aberto!
Aceite o perigo
Acione o seguro
Que ninguém da-lhe a mão
Busca a saída
Mas a cilada
É sua casa
E condição
Andam todos tortos
Tudo mexido
Na esquina Ipiranga
E são João
Na curva de cima
Em outra avenida
Igual confusão
Não dividimos comida
Não damos guarida
Mas temos em casa
Só infiltração
Tenha receio
Feche a mochila
Em todo lado
Ladra a ilusão
Na esquina
E meio
Tem sempre uma pedra
Em todo caminho
Não é diferente
da Ipiranga,
e São João...
Fecha a bolsa
Tira o dedo da mão
A janela tem que estar fechada
Pois quebra vidro
Bota medo
E tensão
Se tem comércio aberto!
Aceite o perigo
Acione o seguro
Que ninguém da-lhe a mão
Busca a saída
Mas a cilada
É sua casa
E condição
Andam todos tortos
Tudo mexido
Na esquina Ipiranga
E são João
Na curva de cima
Em outra avenida
Igual confusão
Não dividimos comida
Não damos guarida
Mas temos em casa
Só infiltração
Tenha receio
Feche a mochila
Em todo lado
Ladra a ilusão
Na esquina
E meio
Tem sempre uma pedra
Em todo caminho
Não é diferente
da Ipiranga,
e São João...
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Ela não vai estar
Ainda que a noite seja tenra
e os passos largos
procuro seus olhos ante ao vidro
Pois seu repleto sorriso
abriu--se pros meus olhos
mesmo que outros olhos os neguem
Ainda que a noite seja dura
sob calçadas lisas e sujas
conforto todas as dores
em saber das luzes frias
que lhe dão vida, a cada manhã
Ainda que a noite seja surda
envolta em brumas
lhe tenho como o farol
que orienta os devaneios
dá senso aos desejos
e vitrifica os sonhos
Ainda que a noite seja oculta
e despedace minhas culpas
não esconde o lado oculto da face
onde se opõem as sensações
impostas pelo pudor
ou evitadas pela paura
Ainda que a noite seja longa ou curta
o tempo redobra a luta
e as dores no corpo
já sedimentadas por todo o dorso
Só amenizadas na loucura,
com esquecimento e alienação
Ainda que a noite seja fuga
tenha no medo, a procura
não se encontra lar
em nenhum dos recantos
que me serviram de repouso
nem nos gramados
onde depositei o cansaço
Não amenizam a ausência
que há dentro de mim
e de si
Ainda que a noite torne-se dia
e dê brilhos à porcelana em sua arcada dentária
eram as sombras que me permitiam ver
em você
os buracos que me preenchiam
Eram as dúvidas
e não as respostas
que esclareciam os medos
De dia
por ver mais que possa entender
atribuo sentidos inexatos às curvas
Encho os olhos de clamor
Mas percebo
que a atenção voltada à mim
é cartaz
encenação afigurada
em sentimentos reprimidos
dentro de mim
e partilhado pelos espectadores
em que se arvoram
as sinas
e os passos largos
procuro seus olhos ante ao vidro
Pois seu repleto sorriso
abriu--se pros meus olhos
mesmo que outros olhos os neguem
Ainda que a noite seja dura
sob calçadas lisas e sujas
conforto todas as dores
em saber das luzes frias
que lhe dão vida, a cada manhã
Ainda que a noite seja surda
envolta em brumas
lhe tenho como o farol
que orienta os devaneios
dá senso aos desejos
e vitrifica os sonhos
Ainda que a noite seja oculta
e despedace minhas culpas
não esconde o lado oculto da face
onde se opõem as sensações
impostas pelo pudor
ou evitadas pela paura
Ainda que a noite seja longa ou curta
o tempo redobra a luta
e as dores no corpo
já sedimentadas por todo o dorso
Só amenizadas na loucura,
com esquecimento e alienação
Ainda que a noite seja fuga
tenha no medo, a procura
não se encontra lar
em nenhum dos recantos
que me serviram de repouso
nem nos gramados
onde depositei o cansaço
Não amenizam a ausência
que há dentro de mim
e de si
Ainda que a noite torne-se dia
e dê brilhos à porcelana em sua arcada dentária
eram as sombras que me permitiam ver
em você
os buracos que me preenchiam
Eram as dúvidas
e não as respostas
que esclareciam os medos
De dia
por ver mais que possa entender
atribuo sentidos inexatos às curvas
Encho os olhos de clamor
Mas percebo
que a atenção voltada à mim
é cartaz
encenação afigurada
em sentimentos reprimidos
dentro de mim
e partilhado pelos espectadores
em que se arvoram
as sinas
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