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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Vila Violada

Era uma vila muito engraçada,
não tinha esgoto, não tinha água
Ninguém podia se comunicar,
Porque internet não tinha lá.

Todos ardiam em suas contas,
mas não teriam ao final das pontas
infra-estrutura pra sobreviver
nem um livro massa pra poder ler

As suas calçadas, esburacadas
não os deixavam parar na estrada
Se poluiram com um palavrão
e enterraram a interação

E essa Vila não tem cultura,
identidade em suas ranhuras.
Mas quem visita quer entender
como é que pode permanecer.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Reluzia (O Sombrio e o Brilho)



Só eram sombras quando surgia
Sorvia os feixes da serventia
Se não houvesse, se dava o eclipse
Sua ausência soava a apocalipse

Só eram sombras quando surgia
Vinha a Lúcia e a luz vinha
Ia a Lúcia e a luz ia

Assim que incidia sua postura
De satélite atônito em sua tontura
Refletia um flerte que flutua
E a sombra inerte tornava-se tua

Só eram sombras sem energia
E de importância as preenchia
Ao despontar sua sinergia
E colidir com o meio-dia

Só eram sombras e surgia
Vinha a Lúcia e a luz vinha
Ia a Lúcia
E não mais reluzia

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Quebra-Concerto

O questionário constante
De seguir para o lado certo
O errado delirante
Quando eu só queria ir reto.
Donde surgiu tal invenção
Que desvirtua a realidade
Efeitos da criação
Com os sintomas da dubialidade.
Como podem inventar o certo
E me obrigarem a prosseguir
Talvez nem chegue perto
Por não querer admitir
Com a questão em entreaberto
Qual seja o canto entoado
O errado eu não conserto
O certo já ta enterrado.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Arsênico – grande palco

Moreno Bastos

[aurora sagaz]

{coro}E esse medo constante de ser
E essa guerra a®mada de ter
E essa sina cansada de ver
E esse espelho chamado poder
[morro]
{narrador}Ele não tem a resposta a saber
[porta]
{fulano} Ele é só um funcionário, um peão da armação.
Um artista barulhento embaralha a razão.
{beltrana} O faz de conta é lá fora; não esqueçam a piedade,
aqui dentro todos são, em princípio, unidade. Já no chão,
eu não sei não, vai no rastro da maldade, a utopia é logo ali,
chamam lá de liberdade.
[abismo]
{sicrana} Ascender o delirante, o desenredo da história.
Vejo no meu semelhante, o desapego pela glória.
O que importa é o fascinante, o destempero ruminante dos
distintos re(i)lutantes nos castelos da demora.
[pedras]
{coro} E esse ter constante de guerra
E esse ser a®mado de medo
E esse poder cansado de espelho
E esse ver chamado de sina
[reticências]

{legendas}
Não é o fim, nem é doutrina,
continua mais pra frente, já na próxima esquina...

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Contrarrio

Não acha estranho?

Estar sempre antenado

Sem saber o que ganho

Por repetir o passado

Como posso aglutinar

Idéia tão complicada

Sem sequer questionar

Com a visão limitada.

Por isso, contrario e rio

Quando não provam a favor.

Para as respostas que crio

A contraprova é o torpor.

Do atributo não fujo

O fardo de nascença

Ou viro um caramujo,

Ou mantenho a sobrevivência.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

O Teimoso e o Persistente

Era um dia tranqüilo,
Que tudo certo havia de dar,
Mas eis que surge um grilo
Que persiste em atrapalhar
O Persistente, com toda pompa e razão
Conta reticentemente,
Uma história de proporção
O Teimoso, sem acreditar
Mostra-se receoso,
E começa a indagar...
No percorrer da dissolução
Mais dúvidas são levantadas
Quem se perde é a razão
Quem se encontra é a confusão
Buscar a resolução,
Idéia do Persistente.
Teimoso aceita então
Com acordo pré-existente
O busílis é atingido
Quando estão a se complicar,
Com problema dissolvido
Terminam sem concordar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

FórmulAção

Conforme minha inconformação
não me conformo com a formalidade
não formo com a forma,
com a norma disforme
 
As formas firmes não firmarão
com as formas fortes não formarão
transformarão a forma uniforme
e ficará a fome de informação
 
Sem forma, me formo
sem molde, me moldo
a figura disforme da inconformação
 
fomento a reforma
e fujo da forma
informo conforme minha formação

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Descrito

Moreno Bastos

Escrevo para ti em forma de desejo
Pra ti, começo com beijo no umbigo
Estapeio-lhe com mãos em brasa
Me lambuzo em teu cheiro e rastejo

Fecho meus olhos escuros para te seguir
Esqueço de palavras, a música que sobrevoa
Envaideço com tua língua em meu ouvido
Unhas riscam as costas, lhe escuto exaurir


Roço sua face, te enlaço, te faço vicejar
Ao redor,
Tem o meu corpo para lhe acompanhar

Encaramos o céu de brilho asfixiante
Te envolvo.
E nos perdemos em um silêncio ressonante

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Conversa, de repente, entre ele e o mesmo

Ontem, queria escrever poesia para te dizer - Tudo que queria é te mostrar um dia, que disso tudo que eu tinha, perdi, esqueci e larguei por ai. Sofri de um jeito novo, perdido entre aquele povo, parado, sofrido, mascado, mas rindo, que quase que me comovo. Corri pra frente, arrastei os dentes, cortando rente – Que coisa é essa? Tu não se incomoda com a moda que roda feito corrente?- Silêncio, respondeu a mente – Com que autoridade tu invade, nesse alarde, sem pedir licença? De calça arriada, covarde, sussurrei, murmurei e só não me mijei pra não ficar na descrença. – Você só tem esse muro de despeito, na verdade é mais um desses moleques satisfeitos, cheios de trejeito e com palavreado rarefeito. Já me virei de lado, entendi o recado, puxei o cobertor abandonado, no meu pé, que já estava frio de tão gelado. Vai ver esse aviso veio de lá do cerebelo. - Não é conversa, é aconselho. Vê se raciocina! Não me venha com utopia de disciplina, aqui na sua caixa, que manda sou eu e não tem idéia que contamina

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Imprieefção

       Impsetiea minha mente
       Mainlpua meus pensamentos
       Peurrfa minha ideologia
       Esrteemce meus contentamentos
       Raetia minha disposição
       Faati minhas atitudes
       Etxerimna, por toda razão,
       innstates de magnitude
  CaÇoa-me pelas costas
 Órfà de extrema importância,
      Ordena-me por vias tortas

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Me prenda em sua liberdade


Você adora meus defeitos
e odeia minhas qualidades
rejeita-me se eu lhe aceito
me aconchega em suas grades
.......
Aprisione-me em sua liberdade
pois, suas asas são a minha cela.
Só sossego em sua saciedade.
Insatisfeita, me fecha a janela.
...........
Seus tornozelos tornam-se âncora,
as suas coxas, a minha fraqueza.
Os seus cheiros são minha cânfora.
........
Deixa-me pobre, a sua riqueza,
e a minha feiura lhe parece bela,
por ser feliz a minha tristeza!

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Jornalirismo

Por favor, me digam onde é o buraco
Que eu pulo e acabo com isso, emplaco
Apuro esquema, qualquer problema ataco
Piso na lama de sapato branco, cato cavaco

Por favor, vou para a jaula dos leões, desatraco
Aguento tonelada, toco, chato e cheiro de sovaco
Ligo para Deus, Rá. Deixo recado até para rei polaco
Vou para a área, volto. Visado, me transformo em velhaco

Mas quando chega a hora do fechamento derradeiro
E vem o desespero, troco tudo, chamo o frei de cachaceiro
Idéias se escondem nas gavetas, inspiração cai do desfiladeiro

Preencho os espaços brancos entre mil cores de uma propaganda
E a notícia legendada fica ali, ao lado de um duplex com varanda
No bar em frente, xingo a verdade pra mostrar quem é que manda