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INQUIETO
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
O que flor será (Sorte em ser-te)
Espinhaço
já se notava
um indício
do seu jeito
Com o tempo,
o que tem por dentro
aflorou
suas quinas
aquilataram o espaço,
determinaram o passo
e privaram a cabeça
dos seus traços
O que for que faça
tem sua graça
e o seu contrário
Soma ou Suma
sendo só
uma
soma
seu som
é sintoma
sem
dor
sai da sua
sanha
senta-se
e sinta
cento e sessenta
tons
de sabores
Em suma,
assuma!
AmarOmar
me faz querer
marejar
mover e mexer
mergulhar
imenso
em
imerso
firmamento
que
disfarça os pensamentos
para me ater
me atar
a ser quem sou
inverso
e avesso à dor
Marcianos
porque te quero tanto
em qualquer dimensão
Se tivesse dinheiro
deixaria o mundo inteiro
pra lhe dar o espaço
Vamos voar sem freio
que o rumo do meu peito
tem sua direção
Eu sei que sou suspeito
mas vou dar um jeito
pra lhe ter por perto
Entre em nossa nave
vamos voar suave
e pousar na imensidão
sábado, 20 de agosto de 2022
My place is no place
interminável
do café Bricolete
a musa de Camamducaia,
uma moça despojada,
tanto quanto desastrada
pintada toda de branco,
com cabelos vermelhos
e eu
planejávamos trovoadas
a serem cometidas junto
ao nosso pequeno DOG-GOD
de sete centímetros
que não parava de ser atropelado
infinitamente
ao lado do café da escada
Exatamente todas as vezes
em que alguém abria a porta do café
caiam todas as bicicletas
à sua frente
e a gente
sem tentar parar o mundo
levantava uma magrela junto a outra
Foi nesse instante desconexo
em que conhecemos as duas namoradas
possuidoras de uma das bicicletas
que numa de suas quedas
amassou o já amassado
chicletinho rosa
onde estava escrito
"Juntas para todo o sempre"
domingo, 10 de abril de 2022
aDoraDor
já não receita poesias no escuro
Deixa-me tomar litros
do obscuro
sem dizer onde excretá-lo
No parque onde fazia exorcismos
a grama crescia, virava arbustos
Onde me prendia
aos prantos dos moluscos
Os arredores dos meu bichos
tem mais dentes cravejados
que oblíquos
Estacionado seu calço,
nos alpistes.
Os ossos descalcificados das turbinas
impulsionam já, desafetados,
nosso clima
Atravessam em nossos ralos caldos,
de bubuia,
as mensagens atiradas na labuta
Tem dias que se baixa o sol
pelas beiradas
sem dizer às suas folhas
por quais estradas
vão cair ou revirar
a sua alma
quinta-feira, 13 de janeiro de 2022
AMIGO
Sei bem que as amizades se dissolvem, na mesma intensidade em que se firmam. Somos sujeitos distintos, porquanto o tempo nos defina.
Nosso caminho tem atoleiros, como tem mata-burros, estende tapete e cria absurdos. Estes degraus estabelecem o impulso ao nosso interesse.
Sinto ter pisado em falso muitas vezes. Foi a gana de escalar que me fez cair. Querendo mostrar o que não possuía, te fiz rir, de mim.
Em tempo, ao me pensar além da razão, dei vazão ao que não se quer impedir. O que lhe pedi, faria por ti e, por mim, gostaria de ouvir.
Sei que traço caminhos cruzados, sem sentido ou enviesados. No fim, de tudo o que aprendi contigo, restam abraços de um caldo divertido.
Posso dar muito mais ao mundo do que me considero, inadvertidamente, capaz. A idade, a mudança, a alteridade, Aleluia! Sobrepassam o senso irrazoado que nos domina tempo e hora.
Rogo que perdoe meus arroubos, deixe de lado meus instintos. De todo modo, a cada cálculo que fizer, estará somado o balanço do barco ao chocalho da rede.
Em cada atitude esperada, posso deixar um desejo, dar passo errado e me desculpar.
Pouco sei do caminho traçado, mas fazemos curvas, olhamos pros lados, desenhamos o mundo. Estamos (f)errados!
Nosso desenho é rabisco, mas o esboço traz previsão. Guardo sempre ao lado, o balanço, o aprendizado, pra ser menos criança e ter no calço, a sua razão.
Mar, sol, calma e emoção!
terça-feira, 2 de novembro de 2021
Oriente
como quem busca abrigo,
não vê perigo
e escorrega
Volta pra casa logo
cheio do mundo
e vazio no ego
Molha seus planos
feitos por anos,
como papel
Faz novo mapa
onde detalha
sua oposição
Tenta ir longe
nas coordenadas
e encontra erradas
as suas linhas
Não tem caminho
que planejado
esteja ao lado
ou contramão
Seu GPS
está quebrado
e toda rua
é uma prisão
Quando desiste
e anda à solta
é que se encontra
foge à razão
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Arroz quebrado e feijão bandinha
Queria me encontrar
Andar de bar em bar
Pra trombar o desejo
E quando te vi
Sem jeito e lar
Uma causa de existir
Eu senti o seu beijo
O mundo mostra a mim
Que tem tanto sem jeito
Como eu
Que me sinto no peito
No apogeu
E me entendendo
Um pouco mais
Cada lado que temos
Frente aos lados demais
Viram dados pequenos
E nos trazem paz
Nossos grandes problemas
Tidos, então, atrás
Mostram tortos poemas
Verso e letra a mais
Prezo que o tempo
E o que aprendo
Tornem me capaz
De esquecer o como
Cheguei à soma
Em quanto espaço
Passei através
Volto pra casa
Cheio de certezas
Que amanhã, na mesa
Já deixo pra trás
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Dendrito
puxa um ramo
e derrama o rumo
por engano
A corda estica
e acorda cores
neste pano
Um corpo,
parado na cama,
pede ao fio,
roga ao ramo,
ora à corda
por um curto
- Despeje as dores
do meu plano
quarta-feira, 24 de março de 2021
A realidade é plasma
pedir-lhe-ia perdão
pelos atos praticados
em nome desta nação
já doente e aos pedaços.
Só que tô em recessão,
pois tenho uns assuntos pendentes
com zonas diferentes
do coração
Inominado sujeito,
tô que tô sem freio no peito
e desço abaixo a ladeira da devassidão.
Já não tenho mais jeito
e, ainda assim, tenho quem me queira,
que levante a bandeira,
hasteada no chão.
Não tenho mais cores que não sejam cinzas.
Não tenho mais árvores que não sejam madeira.
Não tenho mais plantas que não sejam estrume.
E ainda nem chegamos no cume,
há muito o que subir,
para chegarmos embaixo,
como quem carrega um fardo,
para depois soltá-lo,
sem compromisso.